Celebrado em 12 de agosto, o Dia Nacional das Artes propõe uma reflexão sobre a importância das diferentes manifestações artísticas e culturais para a sociedade brasileira. A data também reforça o papel da arte na preservação da memória, na educação e na construção da identidade do país.

Para o historiador, professor e jornalista Josué Fernandes, falar sobre arte no Brasil significa reconhecer a diversidade de um país formado pelo encontro de diferentes povos, tradições e experiências históricas.
“O Brasil possui uma riqueza artística extraordinária. Nossa arte nasce da diversidade e pode ser encontrada nos grandes museus e teatros, mas também nas ruas, nas escolas, nas comunidades, no artesanato e nas manifestações culturais transmitidas entre gerações”, afirma Fernandes.
Na avaliação do historiador, a sociedade precisa superar a ideia de que a arte ocupa uma posição secundária.
“Arte também é conhecimento. É uma maneira de interpretar o mundo, preservar memórias, expressar sentimentos e compreender diferentes períodos da nossa história. Quando uma sociedade valoriza sua arte, ela também está valorizando sua própria memória.”
Arte como documento da história
Fernandes destaca que pinturas, fotografias, esculturas, músicas, arquitetura e outras manifestações artísticas também ajudam historiadores e pesquisadores a compreender diferentes momentos da sociedade.
“Como historiador, não observo uma obra apenas pelo aspecto estético. A arte pode ser uma fonte histórica. Ela revela valores, comportamentos, conflitos, costumes e transformações de determinada época.”
Valorizar quem produz arte no Brasil
Outro desafio, segundo Fernandes, é ampliar a visibilidade dos artistas que desenvolvem seus trabalhos fora dos grandes centros culturais brasileiros.
“Temos artistas produzindo trabalhos extraordinários em todas as regiões do país. São músicos, escritores, pintores, artesãos, fotógrafos, atores e produtores culturais que ajudam diariamente a construir a identidade brasileira, mesmo que muitos ainda tenham pouca visibilidade.”
Para ele, essa valorização também deve alcançar as manifestações regionais e locais, fundamentais para compreender a dimensão da diversidade cultural brasileira.
Educação e novas gerações
Como professor, Fernandes considera a escola um dos principais espaços para aproximar crianças e jovens da produção artística e cultural.
“Quando o estudante conhece a arte e as manifestações culturais da sua cidade, do seu estado e do Brasil, ele passa a compreender melhor de onde veio e a sociedade da qual faz parte. A educação tem um papel fundamental nesse processo.”
Em meio ao avanço das tecnologias e ao surgimento de novas formas de criação, Fernandes acredita que a arte continuará desempenhando uma função essencial.
“As ferramentas podem mudar e novas linguagens podem surgir, mas permanece algo profundamente humano: nossa capacidade de criar, imaginar, questionar e deixar registros para as próximas gerações.”
Neste Dia Nacional das Artes, o historiador deixa uma reflexão sobre o espaço ocupado pela produção artística no país.
“Valorizar a arte brasileira é valorizar quem somos, de onde viemos e aquilo que queremos deixar como memória para as próximas gerações. A arte não é apenas entretenimento. Ela é patrimônio, conhecimento, trabalho, história e identidade.”
Por: Julia Lindoski