Uma escolha marcada por fé, coragem e renúncia tem definido a trajetória de Leilany de Jesus Garcia, 27 anos, natural do estado do Maranhão. A jovem brasileira decidiu abrir mão de projetos pessoais e de uma carreira promissora para se dedicar integralmente ao trabalho missionário, dentro e fora do país.
Criada na igreja, Leilany conta que o chamado começou ainda na adolescência, em meio à convivência com missionários que atuavam no Nordeste. O contato com essas histórias despertou não apenas admiração, mas um desejo profundo de também viver aquela realidade.

“Eu era muito nova, mas já sentia algo queimando no meu coração. Quando via aqueles missionários chegando, eu pensava: eu também quero viver isso, eu também quero servir”, relembra, com os olhos brilhando.
Foi no próprio Nordeste, especialmente em sua vivência no Maranhão, que esse chamado começou a ganhar forma. A presença constante de missionários na região teve papel fundamental em sua decisão. Ainda assim, o caminho não foi fácil.
“O desejo existia, mas o medo também. Eu sabia que não seria fácil. Muitas vezes pensei em desistir antes mesmo de começar”, confessa.
Mesmo diante das inseguranças e da falta de apoio em alguns contextos, Leilany decidiu seguir. Após um período de preparação, participou de experiências missionárias que marcaram sua caminhada. A terceira viagem, considerada por ela um divisor de águas, teve como destino a Tailândia.
No país asiático, onde cerca de 99% da população segue o budismo, a jovem se deparou com uma realidade completamente diferente da brasileira. A experiência foi descrita como intensa e transformadora.

Leilany também compartilhou um registro ao lado de sua equipe durante a missão na Tailândia. Na imagem, o grupo aparece vestindo trajes típicos locais, em um gesto de acolhimento feito por uma moradora.
“Essa foto é com a nossa equipe e com uma tailandesa chamada Fon, que abriu a sua casa para nós. Ela nos vestiu com roupas típicas, como forma de nos honrar pelo trabalho que estávamos realizando”, relatou.
A experiência, segundo a missionária, foi marcada por descobertas e sentimentos intensos diante de uma realidade completamente nova.
“Quando eu cheguei lá, tudo era novo. A língua, a cultura, as pessoas… mas, ao mesmo tempo, eu sentia que estava exatamente onde deveria estar”, relata.
Os desafios foram muitos. A barreira da língua, os costumes distintos e o contexto religioso tornaram o trabalho missionário mais complexo. Ainda assim, foi nesse cenário que Leilany afirma ter compreendido de forma mais profunda o significado de sua missão.
“Eu olhava ao redor e pensava: muitas dessas pessoas nunca ouviram falar de Jesus. Aquilo me quebrava por dentro, mas também me dava mais força para continuar”, afirma, emocionada.
Ao comparar com o Brasil, Leilany destaca que, apesar do sincretismo religioso, ainda existe maior abertura ao cristianismo. No entanto, ela ressalta que grupos como indígenas, sertanejos e comunidades quilombolas ainda enfrentam limitações de acesso, o que também representa um desafio missionário.
A decisão de seguir esse caminho trouxe mudanças profundas. A jovem deixou sua cidade, interrompeu a graduação em uma universidade federal e abriu mão da estabilidade financeira.
“Não foi fácil. Eu chorei muitas vezes. Deixar minha casa, minha família, meus planos… doeu. Mas toda vez que eu lembrava do propósito, eu entendia que valia a pena”, diz.
Após dois anos e meio atuando no estado de Mato Grosso, na região Centro-Oeste, Leilany retorna ao Nordeste. O novo destino é Recife, onde pretende continuar o trabalho missionário e investir em sua formação teológica.
O desejo de retornar à Tailândia segue vivo. Para ela, a missão no país asiático ainda não terminou.
“Meu coração ficou lá. Eu quero voltar, quero ver os frutos, quero continuar aquilo que começou”, revela.
Enquanto isso, a missão ganha continuidade dentro da própria família. Sua irmã será enviada à Tailândia nos próximos meses, dando sequência ao trabalho iniciado.
“Hoje eu não estou indo, mas estou enviando alguém que eu amo. É como se uma parte de mim também estivesse voltando”, finaliza.
Mais do que uma história pessoal, a trajetória de Leilany evidencia como a fé e o compromisso missionário podem ultrapassar fronteiras, conectando realidades distintas e ampliando o alcance de uma atuação que teve início no Maranhão e hoje ganha dimensão internacional.
Por: Portal Mix/ Josué Fernandes
Revisão textual: Juliana Lindoski